A atmosfera criativa de João

em contato com a natureza

Ao entrarmos na casa de João a fala já fica mais vagarosa. A vista traz tantos devaneios que fica difícil pensar em preocupações. Ele age com serenidade, resolve coisas no silêncio. No fundo, uma playlist brasileira entoa “Abacateiro acataremos teu ato/Nós também somos do mato como o pato e o leão”. E a voz de Gilberto Gil vai modulando a conversa junto com as ondas do mar de São Conrado.

Um fazedor cria coisas mas também cria atmosferas. E com ele, o clima é nítido: gaivotas planando, horizonte alargando e brisas breves. Parece literal e é, mas a parte que mais exala vem do campo da metáfora, o mesmo campo de onde ele colhe restos de árvore, memórias e pedaços de pano.

João Noronha faz muitas coisas com as mãos. Ao seu redor, há vários elementos de sua autoria. Nas paredes, nas prateleiras, sobre a mesa. É artista e também artesão. As invenções são orgânicas, respeitam muito a reutilização de material e as necessidades que aparecem.

O sujeito e o fazer se misturam. Ao ver seus trabalhos, sentimos o habitat. Mas cada coisa o retrata de um jeito, porque são retratos rarefeitos, espalhados – retratos em maré alta.

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Se preciso, crio

Ele fez uma capa de prancha porque estava sem e utilizou um cobertor jeans que havia ganhado de uma tia para fazê-la. Fez uns suportes para pranchas porque não tinha. Esculpiu as molduras das próprias fotos. Ao invés de comprar, ele opta por criar. E hoje em dia isso cresceu, ele faz para outras pessoas também, aceita encomendas. E ao produzir em maior quantidade, o trabalho vai evoluindo.

Além do oceano, João se inspira na mata, no vento e na terra. Seus trabalhos são muito conectados aos ciclos da natureza, à saúde, à leveza. Identifica que a conexão com o surf foi um disparador de muitas coisas positivas.

“O surf foi um lugar de expansão pessoal, criativa e espiritual. É ele meu lugar de cura”.
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Muié de maiô

João enxerga possibilidade nos acontecimentos cotidianos. Ele está sempre atento ao que é visto como algo sem utilidade e a partir disso dá novos significados e funções para o que seria descartado.

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“Um dia caiu uma árvore de Jacarandá lá na roça onde meu pai tem um sítio. Eu recolhi a madeira e comecei a trabalhar nela. Mais tarde virou uma mesa de centro. Foi o projeto que eu mais fiquei amarradão. Tanto que eu não queria vendê-la. Batizei ela com o nome de Muié de Maiô”

De pé sobre as águas

Um projeto na gaveta e muito pilha pra fazer acontecer.

Shape room é um quarto de shapes para pranchas. Ele e alguns amigos queriam criar um na própria casa, mas acabou não rolando. Só que a vontade de entender esse lance da hidrodinâmica – de como dá pra construir uma coisa que faz as pessoas ficarem em pé sobre as águas – não sai de sua cabeça.

“Nós já desenvolvemos todo um projeto de como isso se tornaria viável. Agora é achar um lugar e parceiros pra coisa de fato acontecer”
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Válvulas de escape

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