As potências da gambiarra

experimentos visuais, mitos e transcendência

Parece cenário mas não é. Dentro de uma vila bucólica em Marechal Rondon, o ateliê da Bendita Gambiarra pulsa. Diante das criadoras do projeto – Aline Besouro e Cassia Lyrio – é impossível não estremecer: elas e o espaço são puro encantamento.

Aline é ligada no 220, faceira, falante. Cassia é branda, tem a fala leve e intercalada por tragos de cigarro ou goles de café. As duas parecem o Yin-Yang em forma de gente.

DO QUE É FEITA A BENDITA E O QUE ELA FAZ

A Bendita Gambiarra é uma marca de experimentos gráficos. A partir de pesquisas em ilustração, interferências urbanas e performances, a dupla produz cadernos-amuletos, lambes e outras peças repletas de magia e intuição.

“A Bendita existe desde 2012, mas só esse ano a gente decidiu se dedicar totalmente ao projeto. E um dos motivos pra gente estar levando isso tão visceralmente é porque a gente descobriu que é muito gostoso trabalhar com algo que amamos. Descobrimos muita força nisso”.

 

O processo de criação busca mitos, signos e relações. É um trabalho que gosta de impregnar as ruas e as pessoas, transcendendo a estética.

A dupla inventou um personagem chamado “Sem Medo”. O “Sem Medo” aparece quando a coragem quer fraquejar. Além dele, tem a “Andarilha” – espírito da eterna errância.

 

 

 

trabalho manual, sem manual

Há pouco tempo, papeando sobre a infância, Aline e Cassia descobriram mais uma coisa em comum: as duas vendiam bijuterias no recreio da escola.

 

“No meu aniversário de 10 anos eu pedi um alicate para fazer bijuterias. Sempre pirei em fazer trabalhos manuais. Eu levava as bijus pra vender na escola e teve uma época que me proibiram de vender, daí eu vendia escondida no banheiro” Aline.

O gosto pelo fazer tem muito a ver com o ambiente familiar da Aline. O ateliê da Bendita já foi uma casa minúscula, como ela mesma diz. Mas com o tempo, seu pai e seus tios foram subindo outras paredes e a construção não cansa de crescer.

PAPO RETO: DE FAZEDORAS PARA QUEM FAZ

Observar o que está a sua volta e enxergar potencial em construir com o que dá. Pras Benditas o esquema é não se acanhar querendo atingir um lugar maior antes mesmo de começar.

“A gente faz muito com o que a gente tem. A nossa primeira tela de serigrafia era feita com dobradiça de porta. O Sérgio, cara que começou a Bendita comigo, era marceneiro. Teve um dia que eu contei pra ele que tinha sonhado que vendia os cadernos em uma banquinha de bala. No dia seguinte ele tava construindo. Até hoje saímos pra vender com a nossa Bendita Móvel”.

#Dáprafazer

A partir do momento que existe uma interrogação na cabeça, do tipo: “ah, eu acho que eu poderia fazer tal coisa”, você precisa colocar isso pra fora, jogar pro mundo.

“É meio clichê, mas é essa coisa de sua imaginação é o seu limite. Você precisa acreditar que é capaz de fazer o que quiser. O lance é descobrir o que você quer fazer e se conectar com pessoas que já fazem o mesmo. É importante estar trocando. A conexão em rede dá muito gás pra começar a fazer”.

Anote seu desejos e ideias num caderno, num post-it, no bloco de notas do celular.

“A vida faz com que a gente aprenda a fazer uma gambiarra interna, escondendo os nossos sonho aqui dentro. E cara, a gente não pode esquecer os nossos sonhos”.

Lifeaholic por Bendita Gambiarra

A Bendita Gambiarra se desdobra em oficinas, Bendita móvel e quer virar Bendita Truck. Aline e Cassia entraram na autoescola juntas, pra realizar o sonho de ter uma caminhonete – onde possam colocar seus produtos e vendê-los de maneira itinerante.

Próximos Corres

Além disso, Cassia está aprendendo a fazer cerâmica e comprou um forno que está parado no porão. As meninas ainda não tiveram grana pra fazer as alterações elétricas necessárias pra mergulhar na experiência. Esse serviço custa em torno de 5 mil reais. (Fica a dica pra uma Bendita Alma que quiser ajudar).

Para entrar em contato com a Bendita Gambiarra, clique aqui.

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