Captura imagens

e cria uns climas

Beleza tosca, nua e crua – e as fotos do Martin Parr – combinam bem com o clima abaixo:

Eduardo Magalhães é completamente inquieto. Desde criança sente faíscas energéticas aka ansiedade e suas pernas tremem quando ele precisa ficar parado. Ele cresceu e suas trepidações continuaram – mas foram ganhando um ritmo. Os pés agitados, quase percussivos, foram sendo atraídos pelo som. Os olhos também. O tremelique das pernas foi chegando nas pistas de dança, e acabou sendo traduzido pelos olhos com cliques e mais cli – cli – cli – ques.  

Começou seu trabalho de fotografia no Partybusters, um portal de conteúdo voltado pra noite carioca. Aprendeu a fotografar sendo autodidata, estudava fotografia antes mesmo de ter uma câmera. O site começou com registros de festas mas virou um portal com vários colaboradores que falavam de moda/música/noite/comportamento. Eduardo cuidava da parte fotográfica disso tudo.

Desde o final do site (meados de 2012), ele migrou pro I Hate Flash, cobrindo desde festivais de música dentro e fora do Brasil até festas pequenas em solo carioca. Enquanto odiavam seu flash, rs, ele também tocava projetos pessoais: moda, retratos, fotos de viagens, de geometrias tecnológicas, conceitos imagéticos para carreiras musicais (como a da Mahmundi) e por aí vai. Até que, inquieto com os ~ rumos contemporâneos ~ da fotografia, aproveitou a intimidade que tinha com o fervo e resolveu se aventurar um pouco mais.

Em 2015 um grande amigo queria criar um evento na rua, se juntou com um grupo e a SOMM surgiu. Meses depois da primeira edição, o grupo não se entendeu direito, não tinha se organizado para continuar com a proposta inicial e ele abraçou o nome SOMM (ainda em contato com o grupo) para fazer a tal da “curadoria de pista”. E da curadoria, acabou indo pra trás das pick ups.

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“Peguei uma controladora emprestada, fui me entendendo, baixando música e hoje já temos mais de 10 edições da festa. Eu e meu fiel escudeiro (Filipe Marques) formamos a dupla de DJs Feio & Horroroso. O ciclo de produção expandiu, tá entre BH (minha cidade natal), Juiz de fora e Rio. Em 2017 vamos trazer uma DJ gringa.”

Eduardo não escolhe o som pelas viradas ou pelas batidas por minuto (bpm). Curte criar um clima, mais do que procurar viradas cheias de efeitos. Diversos sons permitem isso, mas ele destaca uma banda da Tunísia, chamada Carthago. É do selo Habibi Funk e representa bem o que ele curte ouvir e tocar.

A música cria atmosferas que abarcam diferentes tipos de gente. Eduardo vê na fotografia a mesma característica: aproximar diferenças. Seu último projeto chama “Foco Múltiplo” e tem como objetivo criar uma exposição fotográfica a partir da junção de diferentes ângulos e perspectivas. Um encontrão de olhares das 4 zonas do RJ: uma forma de valorizar outros fotógrafos e contestar os condicionamentos de cada um.

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“Como eu fiz parte de vários grupos/coletivos, o meu trampo comercial tem semelhanças com outros fotógrafos, pois trabalhávamos juntos. E apesar de gostar bastante dessa estética queria desafiar justamente o que eu vinha fazendo como esteticamente “correto”. Então fui atrás de modelos de trabalho conflitantes com os meus.”

Além da exposição, eles vão cobrir juntos alguns eventos, em um processo vivo, produzindo conteúdos menos previsíveis e mais plurais. Se cada um sai um pouco da zona de conforto, os perímetros ficam maiores e mais abertos.

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“Eu adoro o movimento que a cidade tem tido nos últimos anos. Trabalhando com fotografia, eu já circulei a cidade quase toda. E isso, de atravessar o túnel e conhecer lugares e pessoas diferentes, é minha maior inspiração de vida. É o que me energiza.”
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