DE PONTA A PONTA

conexões digitais e desenrolos

Lembra daquele som de internet discada? Esse texto fala dessa época e de como as coisas mudaram até aqui.

O mundo digital transformou muita coisa, isso sabemos. Em 2017, pensar certas ações sem o uso da grande rede é estranhíssimo. Com um smartphone alcançamos diversas partes do mundo, facilitamos os serviços, conhecemos pessoas, desvendamos culturas.

Antes dos anos 2000, algumas famílias já tinham seus microcomputadores e acessórios. Na favela o ritmo era diferente, e a presença de alguns desbravadores foi fundamental. Dando de Antares é um deles, o cara montou a primeira Lan House de sua comunidade e foi responsável pela revolução digital de seu território.

“A gente abriu um lava-jato e tinha tudo pra lavar, menos carro. Daí abriram as inscrições para agente comunitário, e não tinha xerox pra copiar documentos e nem onde fazer o currículo. Então decidimos abrir uma Lan House. Catei uma porrada de sucata e fiz um provedor digital na Antares.”

Quando o desejo por um computador virou uma febre, era ele que ia até o centro pra montar e desmontar máquinas. Autodidata curioso, mexia com hardware e software, procurava placas, monitores, processadores, memórias. Quando percebeu, tinha virado “micreiro”.

Dando conectava as pessoas às máquinas, fazia o meio de campo pra intimidade com a web acontecer. Fora da vida online, ele conecta gente com gente. LAN, de Lan House, significa “local area network” – ou onde as conexões acontecem. 

“Tem gente que vende sonhos, eu compro o sonho dos outros. É o que eu faço. Quando você pensa que vai ficar perdido no caminho, que não sabe se vai dar certo ou não, eu tô lá. Estimulo ações afirmativas, empreendedoras e construtivas.”

Dentro e fora do computador, o cara gosta de ajudar as pessoas. É um fazedor de redes, um “conectador”. Seus trabalhos estão sempre alinhados com pesquisas sobre desenvolvimento social, inclusão digital e inovação. Ele já se envolveu em projetos de música, futebol, e trabalha com o que aparece – principalmente na parte operacional. Mas além da habilidade com engenharia, também é artista: canta, toca. É um cara do tato, dos desenrolos.

Esse ano, no Festival Rider #dáprafazer, apresentou o projeto De ponta a ponta, onde mais uma vez ele junta as extremidades e encurta as distâncias. O Festival valoriza a cena criativa carioca, e acontece em 4 zonas do Rio. Dia 18/03, lotou o Galpão Gamboa com shows, cortejos, oficinas, papos, filmes e muito mais. É um evento co-criado com 9 Fazedores cariocas e Dando de Antares é um deles. 

De ponta a ponta uniu duas experiências que dizem muito sobre o lugar de onde ele vem. Em uma ponta, as mãos: a galera do Grafite. Na outra ponta, os pés: a galera do Passinho – que tá na rua mas não deixa de ser um fenômeno da internet.

“Ando pelos mundos e preferi tentar conectar a favela com o asfalto. O senso criativo é muito grande na favela. Tem as dores e os perrengues mas é a criatividade e o sorriso que eu trago.”

Para Dando, com a informação somos todos iguais. E não importa qual o tema ou desafio, ele sempre vai ser um facilitador, o “Magaiver de Antares” – aquele que transforma sucata em provedor.

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