Faz um som

arma um circo e canta com legendas

Um número de trapézio ao som de um bom rock. Essa imagem intensifica todo o texto abaixo:

“”Nada é por acaso.” – Não sei se tem um autor específico para essa frase, mas eu ouvi num centro espírita quando eu tinha uns 8 anos e nunca mais esqueci.”

Ingrid Esser sempre gostou muito de conhecer música nova e de mostrar música nova para os outros. Foi assim que tudo começou. Em 2011 ela trabalhava em uma consultoria bem legal numa super casa em São Conrado e os donos eram super jovens. Logo, combinação super perfeita pra fazer festa sempre. Numa dessas, o chefe chegou para ela e disse: – Guid, na festa que a gente vai fazer sábado, você que vai colocar o som, tá? – Ela obviamente não fazia ideia nem por onde começar. Mas caiu dentro, baixou um software de DJ e pronto, meteu as caras e super rolou. Depois dessa, fizeram mais umas 5 festas. Até que tiveram que sair da casa irada. Super chato, mas saíram. De super em super, ela já tinha criado um público que queria ver ela tocar de novo. E de novo. E de novo.

“Um belo dia eu mandei um e-mail para um hostel tipo contato@hostelxxx, sabe? Eu dizia que achava aquele espaço super bacana e que era uma ótima oportunidade de fazer uma festa que eu tinha lá. Se eu tinha a festa pronta? Óbvio que não. Para minha sorte (e desespero) eles toparam e eu tive que criar um conceito de festa e modelo de negócio da noite para o dia.”

Ela ficou tocando nesse hostel por uns 5 anos, e foi daí que começou a se profissionalizar, produzir festas, investir em equipamento, etc. Seu som é focado em “fazer a galera dançar”, ela toca um pouco de tudo. Por essas e outras, é chamada pra diferentes tipos de festas – e costuma ser DJ em várias ocasiões que celebram o amor aka casamentos. E ela também produz um karaokê na rua.

“Foi numa brincadeira que me juntei a mais 5 amigos e começamos a fazer uns karaokes no meio da rua. É uma iniciativa que acontece quando tá todo mundo na vibe. E é sempre delicioso.”

Ela tá sempre perto da música: em shows, festas, ensaios. Tem preferências musicais mas não descarta nada, não tem preconceitos. Pra ela, tudo é referência e estudo. E não só pela música, mas também pela estética e pelos comportamentos.

Super Guid

Mas a Guid leva uma vida um pouco dupla. Pra ficar no tema musical, ela sofre os dilemas de um vinil: carrega um lado A e um lado B e tem que se virar nos dois.

“Hoje eu brinco dizendo que vivo uma vida de super-heroína, aquela que tem superpoderes mas leva uma vida com sua verdadeira identidade disfarçada. Diariamente, das 9h às 18h, coordeno uma equipe de inovação em uma seguradora (se não ficou claro, essa é a identidade disfarçada, rs).”

Ela nasceu no Cachambi, passou a infância no Engenho Novo e a adolescência/juventude no Méier. E aí quando foi pra faculdade, chegou na PUC. PAM! Primeiro contato com a zona sul do Rio. Acabou tendo que reaprender um monte de coisa, entender seu lugar no mundo e mostrar pro que veio.

“Esse lance da mistura zona norte/zona sul, me deu um poder de transitar em diversas áreas e núcleos de interesses e de pessoas mesmo. Com isso, eu sempre consegui ser um grande hub de conexão, que vai além da linha do trem. Sou o tipo de fazedora conectora, rs.”

Na seguradora ou na pista, ela conecta pessoas e soluções para que as demandas sejam atingidas. Quando ela tá tocando, atende a necessidade das pessoas de se divertirem e de se conectarem umas com as outras para diferentes fins: pegação, por exemplo. Em outras palavras, ela dá_um_empurrãozinho.mp3.

“Tem uma coisa que acontece que se chama vida, né? E é ela que te norteia para onde você vai. Ela vai colocando algumas coisas no seu caminho que nem sempre você escolhe. O bacana é você saber o que você vai fazer com essas coisas. Eu perdi minha mãe cedo e meu pai era muito ocupado. Então, daí, eu já aprendi a me virar à beça.”

Circo Indie

Um dos projetos que ela está desenvolvendo atualmente é o Circo Indie. Ela sempre se identificou com a “cultura independente” e, com o passar do tempo, a identificação foi além da música e chegou na moda, na cultura, na estética e no lifestyle. Então o projeto junta a galera autônoma que quer fazer e faz.

“A ideia de colocar isso tudo debaixo de uma lona de circo também transmite a força do indie, porque artista de circo é o rei do indie, né? Desde antigamente, eram os artistas que queriam mostrar seus talentos e iam de cidade em cidade fazer isso.”

E com esse fascínio pelo mambembe, ela diz que gostaria que os lugares fossem mais acolhedores para todos os tipos de públicos e idealiza uma cena musical menos restritiva. Voltando ao tom circense: todo público é um respeitável público. 

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