Funk e etc

o sustentável peso do baile

Sabe aquela batida básica do funk? Você pode ficar com ela na cabeça enquanto lê esse texto:

O Heavy Baile é um selo, uma festa, um grupo artístico, um bando. Nasceu do ventre funkeiro, mas mistura diferentes influências eletrônicas do mundo. Realça o ritmo da periferia carioca e dissemina o funk em todo tipo de lugar. A ideia é tocar, tocar, tocar o máximo que der e fazer com que o ritmo seja absorvido pela maior quantidade de ouvidos – e quadris – possíveis.

“Trabalhar com funk é um pouco louco. Você transita em diversos lugares – favela, asfalto, internet – porque o ritmo/batida conversa com todos esses públicos e as letras falam da realidade, seja ela “boa” ou “ruim” dependendo de cada um.” Ana Paula Paulino

Os bailes funk começaram no início da década de 70, quando surgiram os chamados bailes da pesada, realizados no Canecão pelos DJs Big Boy e Ademir Lemos. O nome Heavy Baile pode fazer uma alusão à essa origem, mas surgiu pra classificar um remix do Leo Justi – só depois veio a festa e o selo – que ganharam dimensões muito maiores do que ele imaginava.

Leo foi se unindo a algumas pessoas, hoje trabalha com o DJ Dorly Neto e a produtora Ana Paula Paulino. Produzem muito conteúdo inédito e anunciam novas parcerias constantemente. O Heavy Baile não é só um baile, é fonte de inspiração para outros artistas e produtores que procuram nos ritmos periféricos uma força de expressão.

“Comecei a ser DJ após fazer um curso chamado Red Bull Favela Beats, em Vigário Geral, favela icônica do RJ. Meus professores foram os antológicos Sany Pitbull e Grandmaster Raphael. Naturalmente me aproximei da cena do funk e da bass music, tendo sempre o Leo Justi como uma das minhas inspirações.” Dorly Neto

O Leo Justi, que é o criador do Heavy Baile, tem urgência criativa e é filho de músicos. Desde cedo teve muito interesse nisso. Na infância estudava violino e antes de trabalhar como produtor e DJ, teve bandas de rock. Como bom brasileiro, possui visão musical ampla e diversificada e tá sempre de olho em sons com boas batidas. Na escola ele ouvia a galera cantar funk, depois vieram as influências fortes dos clubs, e então com a ajuda de alguns softwares, começou a criar batidas. Até hoje não parou de criar beats e mais beats.

“Queremos mostrar a força da cultura periférica urbana que é latente no Heavy Baile. Não apenas a música mas todo o contexto cultural onde o gueto vira o centro.” Leo Justi

Mas não é só música que o Heavy Baile Team produz, eles também criam muitas conexões. A música não pode só surgir, ela precisa, principalmente, ter para onde ir.

“Meu estilo de fazedor é muito baseado em gerar conexões entre pessoas. Em um antigo emprego diziam que eu era o Pontífice da empresa (aquele que fazia pontes). Muito das minhas características pessoais e da minha formação acadêmica (Relações Públicas) contribuem para isso. No Heavy Baile eu tento fazer o mesmo: ajudar a gerar conexões para que nossos sons se expandam e alcancem cada vez mais corpos e corações.” Dorly Neto

E pros sons alcançarem cada vez mais corpos, o trabalho não é só de produção musical e relacionamento – tem a parte mão na massa, a parte burocrática, a parte organizacional. E hoje isso fica por conta da Ana, que ao lado da irmã na Ubuntu Produções, também cuida da carreira da MC Carol e do trio de rap ABRONCA.

“Como toda produtora, minha parada é colocar em prática o que tá só no plano das ideias. Dentro do Heavy Baile, eu sou tipo aquela fada madrinha que faz o impossível virar realidade. Já transformei muita abóbora em carruagem, rs.” Ana Paula Paulino

Em março e abril eles serão responsáveis pelo projeto Heavy Baile Experience, parte do Festival Rider #dáprafazer. Além do Heavy time do Heavy Baile, eles convidaram Rincon Sapiência + ABRONCA + Raxa. O festival é descentralizado e gratuito, e vai celebrar as diferentes forças culturais do Rio de Janeiro.

“Hoje o funk é um dos ritmos mais populares no Brasil e, desde a internet, os produtores de funk faziam suas músicas em um estúdio na favela, soltavam no YouTube e a faixa virava hit sem precisar de gravadora pra fazer a música bombar. Quer mais #DáPraFazer do que isso? Ana Paula Paulino

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