Sem caôs

a mãe como ela é

O texto abaixo combina com Feist, com Yodas de pelúcia ou com algum rockzinho bom.

Helen Ramos é criativa – no sentido amplo da palavra. Tá o tempo todo tendo ideias, fazendo piadas, brincando com o corpo e com as palavras. Mulher super expressiva, cresceu em Brasília – onde começou a fazer teatro com 11 anos.

Além da grande paixão pelos palcos, se dedicou também à escrita – escrevia poesias, tinha um blog e concluiu a graduação em jornalismo.

“Sou amante da literatura, fiquei muito afastada por causa da maternidade, agora voltei a ler. E eu tenho priorizado as autoras. Tô apaixonada por Chimamanda Ngozi Adichie - tô lendo Americanah e indico muito.”

Depois do diploma em comunicação, mudou para São Paulo. Estudou interpretação e direção no Instituto Stanislavsky e fez diversos freelas. Até que ela e a amiga Mariana Betoni fundaram a My Name is Films, uma produtora audiovisual.

Nos vídeos, elas conseguiam unir a ficção e a realidade, os ritmos e as imagens. Faziam principalmente clipes – passaram por lá o Michel Teló, Fresno, Scalene, CPM 22, Aloízio, entre outros.

Até que a Helen engravidou. Ela virou mãe do Caetano e sua sócia Mariana, virou madrinha. A rotina, as relações e os planos passaram por um turbilhão de emoções.  

“Depois que virei mãe, vivi uma crise no mercado de trabalho. Tive que me reinventar. Resolvi arriscar fazendo um vídeo no youtube pra ver no que ia dar.”

Dia 08 de maio de 2016, Helen Ramos passou a ser reconhecida como Hel Mother. Naquele dia das mães, nasceu um canal de Youtube pra falar da maternidade sem caôs.

Desde o início ela sabia que não faria isso sozinha, então jogou a ideia pra duas amigas – a Mariana Lerroy e a Carla Ribeiro – a Mariana pois ela trabalhava com planejamento e pesquisa e a Carla que ia editar os vídeos e se arriscar no design. Foi assim: um projeto feito com cumadis que embarcaram juntas.

“Eu sou uma fazedora que quer mudar o comportamento das pessoas. O jeito que eu faço isso é falando. E não dá pra falar uma coisa e não fazer. Então antes de falar, eu faço – pra ver se condiz com a realidade. E tento fazer pensando num bem estar maior para as mulheres, as crianças, a sociedade.”

Os vídeos dão uns sacolejos nos inúmeros moralismos destinados às mães e às mulheres. De um jeito leve e cômico, Hel Mother desconstrói romantismos e opressões cotidianas – que muitas famílias e pessoas “bacanas” reproduzem mas não se dão conta.

“O último assunto que não sai da minha cabeça, é o feminismo… o tanto que maternar é um ato político que envolve nossos direitos, direitos humanos.”

A crise de representatividade não está presente só no parlamento. Dentro dos inúmeros papéis cumpridos diariamente, é difícil encontrar ícones ou inspirações. Em uma geração que cresceu com a tecnologia, os modos de viver e os exemplos acabam sendo muito pulverizados. Os “influenciadores digitais” entraram nessa lacuna, preenchendo a necessidade que as pessoas têm de se identificarem com algo – de preferência dentro de nichos cada vez mais específicos.

Hel Mother é uma influenciadora que encontrou um espaço de muita relevância. O que ela fala e o jeito como ela faz, conquista cada vez mais gente. O humor não protagoniza, mas alivia a densidade dos temas que ela aborda.

“Antes de ser mãe eu já tinha vontade de fazer coisas, de ser apresentadora. Tenho até um piloto de quatro episódios, de quando eu morei em Buenos Aires – era um programa de como viver lá, aproveitando e gastando pouco. Mas eu queria fazer algo que fosse diferente, que tivesse originalidade, então faltava coragem para publicar ou seguir em frente com as mil vontades que eu tinha. Mas quando veio a ideia do canal Hel Mother, eu tinha de fato propriedade pra falar sobre aquilo.”

No dia 08/04, Helen Ramos aka Hel Mother esteve em um papo com a Raxa Coletiva, no Festival Rider #dáprafazer, onde quatro mães de diferentes contextos debateram a maternagem.

“Participar do papo foi maravilhoso. É muito bom trocar experiências com outras mulheres, é muito importante a gente parar de achar que a nossa verdade é a maior e a única. A minha maternagem é uma, mas ali na esquina já tem uma maternagem completamente diferente.”

Mas mesmo diante de tantas realidades, muitos temas ainda são comuns a todas – e precisam ser debatidos, precisam ganhar cada vez mais espaço. Ver a reverberação de novos pensamentos – que fogem da lógica patriarcal –  é um avanço para a luta das mulheres, e um alívio para as novas gerações que estão vindo.

“Muitos insights que eu tenho hoje tem mais a ver com o que eu não quero reproduzir. O que é bom, a gente já guarda dentro e usa. Somos muito uma reprodução dos nossos pais, mas eu procuro inovar isso com meu filho ao invés de ficar presa aos parâmetros e paradigmas. Eu tento ser eu mesma. Eu sei que o Caetano é uma criança, mas eu tenho um diálogo muito aberto com ele, muito sincero – e um amor maior do mundo. Esse amor possibilita a nossa relação ser muito original, eu nunca senti esse amor que eu sinto por ele.”

Fotos do Estúdio Cajuína

 

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