Soma de bens

transformações positivas

Um neon geométrico que flutua sobre as cabeças. Uma cerveja gelada que pode ser bebida na rua. É esse o clima do texto abaixo:

Léo Azevedo era advogado, já foi permacultor, trabalhou em loja, gráfica, eventos, etc. Hoje, ele e alguns parceiros tocam o Soma Hub – espaço físico multiplataforma com conexões pessoais e transformações sociais. Também dá pra chamar de ‘um bar cheio de jovens rebeldes’, que aquece Duque de Caxias – Baixada Fluminense.

“O Soma já foi várias coisas antes de existir de fato, e hoje acredito que o grande lance está em não fechar o nosso escopo. Somos uma idéia em movimento. Posso dizer que começou com meu nascimento, rs, pois sou produto de todas as experiências que vivi, o Soma não surgiu apartado de mim. Sou eu ali. Eu somado aos outros.”

O espaço fica em uma esquina bem convidativa, e a arquitetura aproxima o público do local. É como se fosse uma continuação dos fluxos da rua, embora eles não tenham criado com esse intuito. Aos poucos, os jovens foram se apropriando e somando com o Hub, e inúmeras atrações passam por lá. Eles deixaram que a proposta viesse de fora pra dentro (no caso, da rua). O resultado é uma soma de forças num único sentido, provocadas pelos fundadores mas também impulsionadas por pessoas e/ou coletivos externos.

“Atualmente, temos no primeiro andar um bar, uma local shop, uma cozinha de 'ataque'. No segundo andar uma galeria e escola. Mas é assim hoje - amanhã podemos conjugar outros elementos, já que o importante é o movimento cultural gerado e não as plataformas em si.”

Foi lá que aconteceu o terceiro dia do Festival Rider #dáprafazer, evento que abraça as iniciativas de cada zona. E já que o Soma é um somatório de forças, ele evidencia o potencial da baixada, e acaba virando uma vitrine não só de produtos e cervejas mas principalmente de ideias, produções e movimentos que já acontecem por lá. O espaço físico ajuda a condensar os esforços, assim eles tem um epicentro para as ações do território. 

“A galera tá bem engajada, já entendeu que o poder está em olhar e produzir para dentro do seu território, pois isso lhes dá essência e credencia seus projetos no mercado.”

E embora seja visto como loja, eles são muito fiéis às raízes, e gostam mesmo é da esfera comportamental que envolve o Hub. Para eles, o dinheiro precisa rolar mas é só uma fonte de energia – e precisa estar circulando para gerar mais valores.

“Eu tenho uma relação leve quanto a isso. Você produz cultura local, ganha grana e injeta novamente para alimentar o ciclo. Não enxergo obstáculos!”

Léo e os seus sócios se conheceram em raves que aconteciam na Baixada, desde então compartilham sonhos e constroem coisas juntos. Léo é um Fazedor do risco, do tipo que aposta as fichas antes de ver a mão. Ele curte lidar com o imprevisível, pois são oportunidades de evolução.

“Sempre tem coisas boas acontecendo e você sempre irá gostar ou não de algo. To tentando desencanar um pouco dessas avaliações, apenas observo e reajo, acho que assim eu nunca perco.”

E pro futuro, ele acredita que o Soma possa ter alguns desdobramentos: programas para gerar mais conteúdo e experiências, revista/guia da Baixada, banca alternativa, produtos próprios, etc.

Pra finalizar, uma frase que combina com o espírito sonhador do Léo, assinada por Thoreau – um pensador que ele curte:

Se você já construiu castelos no ar, não tenha vergonha deles. Estão onde devem estar. Agora, dê-lhes alicerces.

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