STREET MARKET

movimentos culturais que conectam

Texto: Clariza Rosa (@clarizarosa)

Se você é do tipo que curte o rolê do street wear e quer saber o que de mais fresco está rolando pelo Brasil, você está no lugar certo. O Na Beca virou realidade no final do ano passado e o mapa da mina foi dado: o país está no topo da produção e o segredo nem é tão complexo.

Criatividade, atitude, expressão, individualidade – mistura tudo isso e o resultado são esses nomes aqui: Ilana Pepe (Bahia), Antônio Constantino (RJ) e Bruno Paschoal (SP). Se você estava sentindo falta de pluralidade, cola aqui.

Surreal São Paulo: Minimalismo do jeito que a gente gosta.

No fundo todo mundo quer ser relevante de alguma maneira, mostrar suas ideias, seu pensamentos, sua estética, acho que isso acaba sendo o principal (ponto de partida).

Essa ideia aí quem lançou foi o Bruno Paschoal, que junto com Fábio Ayrosa e Clibas Pascheco são os cria da SURREAL SÃO PAULO, marca de street wear com uma pegada minimalista e certeira.

Se você entrar no site dos caras vai encontrar fotos iluminadas, narrativas bem construídas e o retrato de um cotidiano na cidade que atrai qualquer pessoa que entende a relação vivência x design.

Você tem que ser original hoje em dia, porque produto por produto, o mercado já está saturado. Agora se você sabe vender seu lifestyle, as coisas que você gosta, transcrevê-las em forma de produto, você acaba tendo um conceito original, e isso é uma busca eterna.

A moda de rua tem como premissa expressar aquilo que é a cidade viva, onde cada pessoa é sua própria inspiração e onde os códigos são reinventados a todo tempo. É fluxo de ideia, de conceitos e de um território múltiplo onde sempre tem espaço pra mais um. Saudosistas dos anos 80, as cabeças criativas da marca buscaram ampliar aquilo que já era uma verdade pra eles.

“O estilo de roupa que a pessoa está usando, o som que ela está curtindo, a vibe que ela quer passar. Se você olhar bem, tudo tem uma conexão cada vez mais forte. Isso é algo interessante… originalidade é um fator importante.”

O que uma vez foi o desejo de colocar na rua peças que eles mesmos gostavam, se transformou em uma marca única e plural, trazendo pra pista a variedade criativa que o Brasil se propõe a desenvolver.

Billion Vibez: Sexy sim, e tá tudo bem!

Já te falaram que sensualidade nada tem a ver com hipersexualidade? Então você precisa conhecer a Ilana. Dona de um sotaque baiano carregado de musicalidade e força, ela é a cabeça na frente da BILLION VIBEZ, uma marca que começou como um brechó que não queria ser apenas um brechó, mas sim pautar questões políticas, como o caso do corpo feminino (aquele tamo junto à galera do Brechó Replay por mais uma inspiração!).

A gente gosta de ser sexy, mas não queremos ser sexualizadas. Não quero sair com uma roupa (shortinho e top), mas ter que jogar um casacão por cima com medo do que pode acontecer. Eu milito para a mulher ter essa liberdade.

Num mundo onde os dogmas começaram a ser questionados e quebrados, o street wear brasileiro vem se posicionando de forma feroz: a rua dita as regras e ninguém pode fugir disso. A cabeça da Ilana funciona assim e, por isso, entre os corres de trabalhar num mercado formal, consumir conteúdo de moda da tv (sem poder ace$$ar) e querer ter opções que agradassem seu gosto pessoal, surgiu o conceito do Street Sex Wear:

Eu queria encontrar peças que se aderissem ao corpo da mulher, que não se embasassem em machismos, nem dogmas. Queria coisas com personalidade, com sexualidade. A mulher precisa parar de ser julgada. As pessoas podem vestir o que elas quiserem, isso não muda capacidade profissional de ninguém!

E foi por esse caminho que o garimpo de peças de brechó + customização + produção de editoriais + criação de acessórios estão sendo o guia para uma moda politizada, que defende o direito das mulheres, da independência financeira e da liberdade de ser sexy.

ANTCO: Minha marca vai ser o que quero usar. E isso é suficiente.

Trazendo a rua como principal veículo e colocando no jogo a individualidade necessária para criar um mood diferente do que a massa tende a consumir, demos de cara com a ANTCO.

Eu tinha necessidade de ter/ produzir roupas diferentes, seja camisa de banda ou autoral. As pessoas começaram a procurar. Isso nada mais é que o meu gosto, eu faço roupa que eu quero vestir e não que vai vender ou que as pessoas vão querer comprar.

Como refúgio da galera que não quer se vestir como a grande massa e inspirado pelo mundo da música (shows de rock), dos animes e dos filmes, a ANTCO é um respiro para o novo vir e você pode interpretar como quiser.

Meus amigos sempre zoam dizendo que está bizarro que ninguém vai gostar, que ninguém vai usar, mas acaba saindo tudo!

Entendendo que a rua é porta voz e vitrine de variadas expressões artísticas, já deu pra notar que a tendência da vida é colocar as pessoas no centro. Antônio é a cabeça criadora da marca que, por meio do universo freestyle, amigos, gosto pessoal, atitude e identidade convergem.

Curtiu? É só começo! Este fim de semana vai rolar o @Festival Rider #DáPRAFAZER 2018 :: A Rua Cria no Rio!

A rua vai ficar pequena com o encontro de quase 40 marcas de street wear de vários lugares do Brasil no espaço STREET MARKET. Nessa edição do festival, a proposta é conectar a cultura da rua com os diferentes movimentos de lifestyle do Brasil.

É aberto, é na rua, é pra todo mundo. Para saber mais, pia no evento do Facebook!

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