Chinelaria

Coleção Tudo Cria:

a pluralidade de um Rio de Janeiro separadamente conectado

O projeto fazedores nasceu da necessidade de gritar pro mundo quem é a galera criativa que está ousando em fazer acontecer através da rua.

Depois do Festival Rider #DáPRAFAZER que ostentou a cena independente do Rio, Rider convidou oito fazedores da Zona Norte, Zona Oeste, Zona Central e Baixada para criarem quatro temas. São símbolos de seus locais de afeto e suas identidades, transformados em uma coleção de chinelos construída em parceria com a marca.

Liderada por Camila Vaz, Fernanda Guizan, Julliana Araújo, Junior Stive, Pedro Zybelrstajn, Rafael Acioly, Thiago Monçores e Washington Santana, a proposta visava mostrar a vivência e a relação afetiva existentes entre indivíduo x coletivo x território e colocar pra jogo todas as suas identidades. Zona Norte, Baixada, Zona Oeste e Zona Central foram representadas para falar desse Rio de Janeiro que é separado, mas também interligado.

O Rio da Zona Oeste

Camila Vaz tem 23 anos. Nascida e criada na Taquara, é estudante de design, prestes a se formar pela PUC-Rio. Movida pelo desejo de interferir na sociedade, usa as habilidades em criação de imagem e de produtos para dar expressão a questões como racismo e gênero. Suas experiências pessoais e memórias afetivas são as principais fontes de inspiração, e é desse jeito que ela busca que suas produções criativas sejam reflexo de pura vivência.

Amiga da Camila e também cria da Taquara, Juliana Araújo trabalha com vestuário e adorno pessoal. É DJ e antropóloga – pesquisa sobre as vivências e ressignificação de corpos pretos – e toca uma marca de moda masculina, a RMA-3, com dois sócios também designers, Natasha Ribas e Andrew Melo. Além de tudo isso, trabalha em paralelo com projetos pessoais de vestuário e adornos, sempre ou quase sempre ligados à sensibilidade do homem negro e às diversas possibilidades de ser masculino na comunidade negra.

Créditos: Thasya Barbosa

Para as duas, mostrar que a Zona Oeste também é berço dos estilos do Rio de Janeiro é quase uma missão. Elas olharam para suas experiências de vida no auge dos anos 2000 para colocar em um produto sensações e memórias visuais que dessem conta de refletir toda a pluralidade da região. Por meio de processos como mapeamento de colorimetria da população e expressões estéticas como picho e BRT, comunicar o corre é mostrar que na ZO tudo se cria e recria.

”Quero que seja um produto de qualidade, que tem uma identidade forte, que fala por si. Que, mesmo sem conhecer o discurso por trás dele, as pessoas percebam que é excelente.” - Juliana Araújo, designer de vestuário e acessórios
Créditos: Wilmore Oliveira

O processo criativo da dupla contou com colagens, moodboards, palavras-chave e experiência de vida. Enxergar a região da Taquara como potência agregou à narrativa não só o reflexo de uma realidade, mas também inspiração. Para as designers, fazer com que as pessoas percebam a excelência do produto não só no visual, mas também na sensorialidade, é ultrapassar as expectativas.

A nostalgia da Zona Norte

Trazendo a nostalgia dos anos 80 e 90, a coleção Zona Norte é a prova viva de que o sujo também é lindo. Ilustração, referência às bandas de rock e RAP que deram início ao estilo underground e resgate da subcultura presente nas ruas e na pista inspiraram a dupla guardiã da ZN neste projeto.

Créditos: Cena BXD

Natural do Rio de Janeiro, Junior Morais – a.k.a Stive – é animador, ilustrador e idealizador do projeto “sk8ando”. Ele tem um estilo próprio de arte e é influenciado pelos novos e antigos nomes do graffiti e da street art. Seu domínio da técnica de animação é um grande diferencial nos trabalhos que produz.
Inspirado na pop-art, no skate e na música, Rafael Acioly – a.k.a. Mutano – mistura psicodelia com old school em suas obras. As referências musicais são quase o combustível primordial para a composição de cada trabalho. Atuando intimamente no underground carioca, assina artes para estampas, capas de CD e outros formatos, visando a inspirar novos artistas independentes a produzirem e fortalecerem a cena do RAP e do rock.

Juntando o processo criativo de dois artistas que têm no sangue a vivência de um território rico em criatividade, a proposta é que o público faça um resgate da memória de uma região que fez florescer novos movimentos, na qual há subversividade e resistência cultural.

A territorialidade potente da Baixada

“Recriar a infância e trazer memórias afetivas... quem não lembra de ter apanhado de Rider pelo menos uma vez na vida?” - Thiago Monçores
Créditos: Wilmore Oliveira

Essa é uma das primeiras falas de Thiago Monçores, coordenador e curador do coletivo Cena BXD e formado em eventos pela Estácio de Sá. Thiago já trabalhou na equipe de produção de nomes como Anitta e MC Sapão, é cria da BXD e tem cada vez mais certeza de que talento + movimentação do território é a combinação certeira para um trabalho que carrega verdade e tem força para surpreender.

“A gente está falando, por meio da Rider, do nosso sentimento pelo território a que pertencemos. Estamos vendo nossos talentos sendo ampliados e mostrando pra quem queremos contar essa história.” – Thiago Monçores

Junto com ele está Washington Santana, 20 anos e cria de Sepetiba. Ele é formado em design gráfico, experimentação multimídia e publicidade. Atualmente está trabalhando no desenvolvimento de uma linha de adesivos e blusas abordando a temática das mulheres negras.

“Quero que as pessoas se identifiquem com a proposta. O processo que a gente viveu foi muito lindo e enriquecedor. Minha expectativa é que elas percebam isso de alguma forma.” - Washington Santana
Créditos: I Hate Flash

Para eles, existe uma ligação muito forte da Baixada Fluminense com o território do Rio. São muitos movimentos relacionados à cultura que dependem do fator mobilidade. São muitas vozes buscando o mesmo propósito, mas pensando por caminhos diferentes. Quando falamos dessas 4 zonas, todas perpassam a linha férrea. Provocar a mente das pessoas e fazer com que elas se surpreendam com o dinamismo e a potência existentes na Baixada é meta.

Acúmulo e o desgaste do Centro

Fernanda Guizan é designer graduada pela PUC-Rio e topa quase tudo que tenha ênfase em design gráfico e direção de arte. Ama a cidade enquanto espaço vivo e as suas inúmeras possibilidades de diálogo e transformação. Nessa pegada, ela se dedica ao espaço por meio de trabalhos artísticos de intervenção urbana.

Já Pedro Zylbersztajn é formado em Comunicação Visual, também pela PUC-Rio. Seus projetos giram em torno de direção de arte, editorial, web design e vídeo. Hoje, segue tocando trabalhos de design para empreendimentos culturais e outras empreitadas de cunho experimental.

Os dois formam a dupla responsável por trazer as narrativas do Centro da cidade pro game. Para isso, olharam para suas experiências pessoais, técnicas de trabalho e todo o caos que permite a passagem e circulação de pessoas nesse espaço do Rio. Diferentemente dos outros fazedores, a Nanda e o Pedro não moram em seu território – mas têm o coração lá. A energia veio do seguinte questionamento: como falar do Centro não morando lá? O que é o Rio pra quem mora no Rio? O que é o Centro real? Essas dúvidas foram muito bem sanadas em um produto que, além de entregar respostas, confunde.

“Quando você chega numa cidade, é cinza, parece feio. Mas depois você vai entendendo. Você vira parte do acúmulo e ela vai se revelando pra você… é a mesma coisa com o chinelo.” – Fernanda Guizan

Para trazer pro campo físico toda a relação afetiva e simbólica existente na parte considerada a Zona Central da cidade, eles mergulharam nos conceitos de acúmulo, sobreposição, desgaste e transformação. Então, se você é do tipo que circula reparando em todos os detalhes, com certeza vai se perceber aqui. Se você é do tipo que presta atenção em quase tudo, temos uma combinação infalível de surpresas.

Não acreditamos na cidade repartida. E é por isso que Rider dá força ao movimento jovem que vem da rua, amplia as vozes e conecta a rede. O lançamento da Coleção Tudo Cria tá rolando agora. Para conferir o resultado dessa grande imersão criativa, é só colar nas nossas redes. A gente faz junto. Porque #DáPRAFAZER.

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