voz é corpo

rap feminino

Jay, Mari e Slick eram conhecidas como Pearls Negras, projeto anterior com jeitão pop. Mas o trio do Vidigal passou por uma metamorfose: agora elas são ABRONCA, grupo de rap sob o selo – e peso – do Heavy Baile Sounds.

“A gente acabou com Pearls Negras e foi o Allan (produtor musical) que incentivou a gente a continuar. Dentro a gente tava meio desacreditadas, mas de fora ele conseguiu ver que a gente tinha potência.” Slick

Primeiro viraram Diamond, mas não tava funcionando. O nome não pegou, o show não encaixou. Mas aí a Ana Paula Paulino – produtora do Heavy Baile e da MC Carol – apareceu. Depois do contato com o novo selo, surgiu ABRONCA. Elas decidiram assumir mais o rap e as coisas voltaram a fluir.

“No rap você pode contar histórias, pode falar poemas, sem sair da base. Temos mais espaço pra falar o que queremos”. Mari

Agora, as três vozes – e os beats do Allan Felix – se misturam aos graves do Leo Justi. As letras intensas são elas que escrevem. As performances e coreografias são construídas por elas também. O resultado é uma presença impressionante.

Elas se conheceram quando tinham 12 anos, no grupo de teatro Nós do Morro. Fizeram espetáculos que vão do Funk ao Shakespeare, e cresceram no palco, juntas. Em cena, já foram amigas, rivais, homens, mulheres.

“E temos essa liberdade pra ser tudo: um cachorro, uma funkeira, uma freira. Eu posso ser você, posso ser qualquer coisa. É muito bom sentir essa liberdade.” Mari
“Eu já fiz o Teobaldo, um personagem masculino. Eu tive que me desconstruir. Eu chorava porque não podia me arrumar como uma mulher, porque precisava mudar o cabelo, a voz. Mas depois que consegui fazer isso, percebi que eu poderia fazer tudo.” Slick

Elas levam o teatro pro palco. Para elas, as rimas são tão importantes quanto a linguagem corporal: o sentimento fica mais nítido e chega mais fundo no público quando elas falam com o corpo.

“E não importa o que você é, não importa sua cor, o que você tem. O teatro quer saber o que você tem por dentro, o que você tem pra mostrar. É um lugar de aceitação, e um lugar onde a gente se descobriu muito.” Slick

A música abraça toda essa força expressiva que elas desenvolveram com a atuação. E ao mesmo tempo que criam gestos e personagens, dão voz ao que é muito verdadeiro para elas. As rimas são lapidadas mas nascem num clima espontâneo. E o tom de todas as faixas valoriza as mulheres – o assunto tá forte e urgente.

Estiveram no palco de Duque de Caxias no Heavy Baile Experience – terceiro dia do Festival Rider #dáprafazer. O público colava na grade e vibrava junto com elas. Por enquanto só lançaram um single, mas esse ano o álbum desse bonde de Fazedoras vai entrar no ar.

“Rap feminino, respeita minha banca, minha gang subindo” ABRONCA 

 

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